Terça-feira, 15 de Maio de 2012
Dia da Família Feliz Feliz

 


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por andreia às 20:26
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Sábado, 21 de Abril de 2012
amor à camisola

 

quero ser o teu botão

casa comigo

 

 



por andreia às 18:58
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
AMOR NO MEIO DO AR


AGARRA-ME!
         amo-te, confio em ti,
         amo-te
AGARRA-ME!
         agarra o meu pé esquerdo, o meu pé
         direito, a minha mão!
         aqui estou eu pendurada pelos dentes
         90 metros acima, no ar, e
AGARRA-ME!
         aqui vou eu, voando sem asas,
         sem pára-quedas, fazendo uma dupla tripla
         super-cambalhota salto mortal
         AQUI MESMO SEM
         REDE E

AGARRA-ME!
         agarraste-me!
         amo-te!

Agora é a tua vez


LENORE KANDEL



por andreia às 02:36
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
Ide Chatear o Camões

 



(Poesia em Auto-Destruição - Andreia Macedo)

 

 



por andreia às 19:14
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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
Alegria

 

 

 

rio-me até ao mar

 

 



por andreia às 23:37
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012
Deus Escreve...

 

A mim, que tanto gosto da solidão, pôs-me Deus no caminho um homem presente.

 

E eu... abri-o.

 



por andreia às 22:38
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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011
Miau

 

os livros fazem-me companhia como um gato que não mia


Andreia Macedo

 



por andreia às 02:38
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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011
POEMA

 

Tu estás em mim como eu estive no berço

como a árvore sob a sua crosta

como o navio no fundo do mar

 

Mário Cesariny



por andreia às 02:30
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Domingo, 4 de Dezembro de 2011
Coisas que não há que há

Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.

(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que me não lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,

tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num lugar onde só eu ia...

Manuel António Pina



por andreia às 22:40
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Sábado, 26 de Novembro de 2011
gracejo inocente

 

"o amor é mais saboroso de faca na mão"

alma

 


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por andreia às 14:02
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011
assim-assim

 

eu sou assim e não queria ser assim

e há quem não seja assim e queria ser assim.

 



por andreia às 03:58
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Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011
abecedário

 

F  de  amor

 



por andreia às 04:07
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Domingo, 21 de Agosto de 2011
O meu super-herói arrebunha

 

o Homem-Arranha

 



por andreia às 03:37
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Domingo, 14 de Agosto de 2011
b-i-c-i-c-l-e-t-a


por andreia às 15:57
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Sexta-feira, 24 de Junho de 2011
Andreia do Outro Lado do Espelho II



por andreia às 00:04
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Terça-feira, 21 de Junho de 2011
é só estar ali

 

quando for grande quero ser árvore

 

é só estar ali
a transformar luz

 



por andreia às 00:53
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Sexta-feira, 17 de Junho de 2011
passarei a vida a pedir desculpa pela minha existência

 

 

À LUZ DE UMA ESTRELA PEQUENINA

 

Peço desculpa ao acaso por lhe chamar necessidade.

Peço desculpa à necessidade se todavia me engano.

Não se zangue a felicidade por a tomar como minha.

Esqueçam-se de mim os mortos porque já mal se me esboçam na memória.

Peço desculpa ao tempo pela quantidade de mundo que por segundo omito.

Peço desculpa a um amor antigo por considerar este novo o primeiro.

Perdoem-me as guerras longínquas o trazer eu flores para casa.

Perdoem-me vós, feridas abertas, por me ter picado num dedo.

Peço perdão a quem grita do abismo por este disco de um minuete.

Peço desculpa às gentes nas estações, pelo meu sonho às cinco da manhã.

Sinto muito rir-me às vezes, ó esperanças perseguidas!

Sinto muito, deserto, não acorrer com uma gota de água.

E tu, gavião, há tantos anos o mesmo, nessa mesma gaiola,

de olhos fixos sempre no mesmo ponto, sempre imóvel,

desculpa-me, mesmo se fores ave empalhada.

Desculpa-me, árvore cortada, as quatro pernas da mesa.

Desculpem-se as grandes questões pelas respostas pequenas.

Verdade, não me prestes uma atenção forte de mais.

Coragem, concede-me a generosidade.

Tolera, mistério do ser, o eu depenicar linhas da cauda do teu vestido.

Não me acuses, alma, por tão raro te ter.

Que o tudo me desculpe o eu não poder estar em toda a parte.

Que me desculpem todos, por não saber ser cada um e uma.

Eu sei que, enquanto viver, nada me justifica, pois eu própria a mim sirvo de estorvo.

Não me leves a mal, fala, eu requisitar termos patéticos,

e acrescentar depois dificuldade, para que pareçam leves.

 

WISLAWA SZYMBORSKA

 

 

mas o talento para a felicidade, ninguém mo tira

o meu coração é forte

 



por andreia às 03:49
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Sexta-feira, 10 de Junho de 2011
sou uma pessoa, sem dúvida

 

Sou uma pessoa, sem dúvida, afortunada.

Em criança, em idade de não guardar memória, adoeci até à morte

E em jovem, em idade de aprender, morri de grande amor

Fiquei com toda a vida para amar.

 



por andreia às 23:36
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
doce e trágico oriente

como sempre: o amor e a morte

"- O romance ou o poema de amor duma oriental é quase o mesmo. Sempre se trata de numerosas cartas e de entrevistas furtivas. O amor mais ou menos completo, e no fim a morte, e às vezes, mais raramente, a fuga."

não se pode ter nostalgia do passado, que ele volta a repetir-se ainda mais intensamente



por andreia às 19:28
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2011
Take me home

foto: Andreia Macedo



por andreia às 19:47
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2011
cantando aos pássaros

 

vida perfeita

de volta a mim

obrigada
mundo
amor-te
muito
piu

 

"... reconquistei a minha dignidade, reencontrei a minha alma e volto a tomar o meu voo." (Pierre Loti, "As desencantadas") 

 



por andreia às 23:45
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Segunda-feira, 25 de Abril de 2011
só sustenido

só brio

só cio

só riso

só lido

só lista

só licitude

só ridente

só turno

só nata

só má

só ar

 



por andreia às 20:21
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Domingo, 17 de Abril de 2011
somewhere over the rainbow

um dia vais ser minha

 


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por andreia às 04:18
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011
lição sobre "mercados"

 

Um mercado é um lugar onde se compram e vendem bens.

Um mercado financeiro é um lugar onde se compram e vendem males.

 



por andreia às 21:18
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Quinta-feira, 31 de Março de 2011
para espertar

 

Numa noite de luar

um homem novo velho,

sentado de pé num banco de pau de pedra,

muito bem calado, dizia:

 

- Bendita seja a luz do sol que nos alumia.

 


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por andreia às 23:14
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Domingo, 27 de Março de 2011
jantar

 

"Batatas com Bacalhau de Abambres"

 



por andreia às 03:07
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Sábado, 26 de Março de 2011
eu assusto

 

 BUUUUU

 

 

 



por andreia às 05:12
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Domingo, 13 de Março de 2011
LUTA

 

 amemo-nos contra a fome

 



por andreia às 21:59
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Sexta-feira, 11 de Março de 2011
gatus pretus

a minha gata é o único cão de que gosto

 



por andreia às 17:51
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Segunda-feira, 7 de Março de 2011
sozinho à beira rio

 

 

TracinhoTe

 



por andreia às 04:46
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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011
Culpido

 

 



por andreia às 15:07
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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011
Gene II

 

  Lérias tuas:

trinta e duas

 


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por andreia às 21:12
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Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011
Gene I

 

QUEM NÃO TEM MAU NÃO TEM BOM

 


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por andreia às 19:10
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Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011
pronto, hoje é tudo para ti

  ♥ 


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por andreia às 05:39
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VALENTINE

Não uma rosa vermelha ou um coração de cetim.

 

Dou-te uma cebola.

É uma lua embrulhada em papel castanho.

Uma promessa de luz

como o cuidadoso despir do amor.

 

Aqui está.

Cegar-te-á com lágrimas

como um amante.

Fará do teu reflexo

uma trémula foto de dor.

 

Estou a tentar ser verdadeira.

 

 

Não um cartão de visita engraçado ou um beijograma.

 

Dou-te uma cebola.

O seu intenso beijo permanecerá nos teus lábios,

possessivo e fiel

tal como nós,

tanto tempo quanto nós.

 

Toma-a.

Os seus anéis de platina reduzem-se a um anel de noivado,

se quiseres.

Letal.

O seu cheiro agarrar-se-á aos teus dedos,

agarrar-se-á à tua faca.

 

CAROL ANN DUFFY

(trad. Jorge Sousa Braga)



por andreia às 00:38
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Sábado, 12 de Fevereiro de 2011
good goodBYE

 

 



por andreia às 19:44
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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011
O Segredo

  

"Um homem pode mudar tudo. Mas há uma coisa que não pode mudar.

Não pode mudar de paixão."

 

 

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS

Título original: El Secreto de sus Ojos
Realização: Juan José Campanella
Intérpretes: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Guillermo Francella, Pablo Rago, Javier Godino, José Luis Gioia, Carla Quevedo
Argentina/Espanha, 2009



por andreia às 17:39
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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011
CEGAR

olho mil vezes para mil palavras. Uma por uma, mil vezes

depois misturo-as e volto a olhar            mil vezes

amasso-as e volto a olhar             mil vezes

de todas as mil vezes que as olho dizem a uma só voz

mil vezes sim

mil vezes alegria

mil vezes abraço

mil vezes amor

mil vezes confia

mil vezes a mão

mil vezes a luz

mil vezes a lua

mil vezes a vida

mil vezes a aurora

mil vezes de verdade

mil vezes de encanto

mil vezes de sonho

mil vezes bom

e por aí fora … irritantemente delicodoce… sem uma única palavra suspeita, de entre mil vezes mil

volto a olhar                                                                                                    PAZ

como não fechar os olhos e me dissolver nestas mil palavras?

resisto

volto a olhar                                                                                                    O DESERTO

não conheço esta combinação de nada ter de que fugir

esperar, descansar, respirar, confirmar

sinto uma vertigem                       onde está o se, onde está o mas, onde está o talvez, ONDE?

talvez não tenha visto bem                                                                            VIAJAR

mil viagens para me torturar

preciso de um sinal. Deus, dá-me um sinal!                                                        DANÇAR

dançar dançar dançar dançar dançar dançar dançar dançar…                                                                   

volto a olhar                                                                                               DESEJO

ALGUMA COISA DE MAL, por favor!!!!!!!!!!                                                           TU

obrigada

Adeus                                                                                                               

 

 

Andreia Macedo

 



por andreia às 02:23
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Sábado, 15 de Janeiro de 2011
Antar

A história de um chefe guerreiro, Antar. Um ser terrível. Era um chefe impiedoso, um bruto, um terror cuja fama ultrapassava o clã e as fronteiras. Comandava os seus homens sem gritar, sem se agitar. Com a sua voz baixa, que contratava com o que dizia, dava as ordens e nunca foi desobedecido. Tinha o seu próprio exército e resistia ao ocupante, sem nunca pôr em questão a autoridade central. Era temido e respeitado, não tolerava a mínima fraqueza ou derrota por parte dos seus homens, caçava os corruptos e punia os corrompidos, exercia um poder e uma justiça pessoais, nunca arbitrários, ia até ao fim das suas ideias e do seu rigor; em resumo, era um homem exemplar, de coragem lendária. Descobriu-se no dia em que morreu, que este terror e esta força habitavam um corpo de mulher. Construíram-lhe um mausoléu no local da sua morte; hoje é um santo ou uma santa; é o sangue dos errantes; é venerado pelos seres que se evadem, por aqueles que partem de casa porque são atingidos pela dúvida, à procura do rosto interior da verdade…

                (…) Trata-se do “chefe isolado”, aquele que fascinou todos quantos se aproximaram dele. Por vezes apresentava-se com um véu; as suas tropas pensavam que ele queria surpreendê-las; com efeito, oferecia as suas noites a um jovem de beleza rude, uma espécie de bandido errante, que mantinha sobre si um punhal para se defender ou para se matar. Vivia numa gruta, e passava o tempo a fumar kif, e a esperar a sua bela da noite. Claro que nunca soube que esta mulher só era mulher sob o seu corpo, nos seus braços. Ela oferecia-lhe dinheiro. Ele recusava-o; ela indicava-lhe os caminhos onde ele podia ir roubar, e garantia-lhe a máxima segurança, desaparecendo em seguida para reaparecer de improviso numa noite sem estrelas. Falavam pouco; misturavam os seus corpos e preservavam as suas almas. Conta-se que se bateram numa noite, porque quando faziam amor ela pôs-se por cima depois de o ter posto de barriga para baixo, e simulou a sodomização. Indignado, ele rugia de raiva, mas ela dominava-o com todas as suas forças e imobilizou-o esmagando-lhe a cara de encontro ao chão. Quando conseguiu livrar-se dela, pegou no punhal, mas ela foi mais rápida, saltou para cima dele, e venceu-o; ao cair, a arma tocou-lhe no braço, ele pôs-se a chorar, e ela cuspiu-lhe na cara, deu-lhe um pontapé nos testículos e partiu. Tinha acabado. Ele nunca mais voltou a vê-lo, e o bandido, ferido, enlouqueceu, deixou a sua gruta e foi-se embora para junto das mesquitas, doente de amor e de ódio. Deve ter-se perdido no meio da multidão, ou foi engolido pela terra que tremeu. Quanto ao nosso chefe, morreu novo sem estar doente, durante o sono. Quando o despiram para o lavar e cobrir com a mortalha, descobriu-se com a admiração que calculam que era uma mulher, cuja beleza apareceu bruscamente como a essência desta verdade escondida, como o enigma que oscila entre as trevas e o excesso de luz.

                Esta história correu pelo país e pelo tempo. Chega hoje até nós um pouco transformada. Não é este o destino das histórias que circulam e que correm com a água das nascentes mais altas? Vivem mais tempo do que os homens e embelezam os dias.

 

 (Jahar Bem Jelloun, in A Criança de Areia)  



por andreia às 19:48
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Sábado, 25 de Dezembro de 2010
solução existencial

 

Não existimos mais que os nossos sonhos.

Teixeira de Pascoaes

 



por andreia às 12:57
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Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010
ser livre é...

ser livre é ir para novo

e eu quero morrer a nascer



por andreia às 13:23
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Domingo, 28 de Novembro de 2010
em aberto

dizem que não fecho bem

e eu acho isso bom



por andreia às 21:23
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Sábado, 6 de Novembro de 2010
o meu coração é em forma de gedeão

Poema para Galileu

de António Gedeão, dito por ele

 



por andreia às 15:46
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Sábado, 16 de Outubro de 2010
interior da água

"Nunca ninguém conseguiu ver, através de mim, o meu ser real, que é sensível e puro e que se eleva muito acima da degradante baixeza em que escolhi espojar-me, em parte para desagradar às convenções e em parte por um estranho desejo de sofrer"

 

Isabelle Eberhardt



por andreia às 01:23
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Sábado, 25 de Setembro de 2010
Pensando na minha bicicleta linda



por andreia às 03:23
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Domingo, 8 de Agosto de 2010
O domador de crocodilos

foto: Manel



por andreia às 19:23
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Terça-feira, 3 de Agosto de 2010
Louva-a-Deus a louvar a casa nova



por andreia às 12:23
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Sexta-feira, 23 de Julho de 2010
Este é o caderno de voltar atrás

Este é o caderno de voltar atrás

É o caderno de escrever às arrecuas

Devagar

Para dobar as linhas e descobrir a página em que isto começou

 

Não começou ontem, sabemos disso                   nem anteontem

Não se tem memória de quando se deu o primeiro passo

Lembras-te? Foi naquele dia em que subiste a um banco que estava em cima de uma mesa para espreitares a um muro que não era teu. E caíste de lá. (o que querias ver?) Pois, não te recordas. E eu só sei que te amparei a queda e te ajudei a fazer um muro de volta para o outro. E me prometi para todo o sempre. Mas voltaste a cair. Uma e outra vez. E outra e outra. Que visão é essa que te faz cair? Eu quero saber porque cais.

 

Eu não caio. E faço o muro sozinha e vou descobrir o que é. Já está quase.

 

Mas este é o teu caderno de voltar atrás

É preto como as tuas asas

E branco como o meu desejo

E nele não te hás-de perder

Não te hás-de perder

Não te hás-de perder

Não te hás-de perder

Porque só vais andar para trás

 

As folhas são finas para que ao voltares não te esqueças do que aconteceu amanhã… e possas sempre lá voltar para descansar no quarto escuro da mulher escura

Essa mulher para quem fugiste para verdadeiramente viveres do que escapavas à original

Nesse quarto onde já não entra mais ninguém a não ser a dona que te dá de comer

Um quarto cheio de muretes pelo joelho.

Não é um bom descanso para quem cai tanto… mas é um descanso

 

Lá fora há cada vez mais gente para te amparar               mas nunca será suficiente

Tu não te seguras e não sabem onde te agarrar                              dói sempre        meu corvo emparedado

Os muros são cada vez mais baixos e difíceis de alcançar e já te esqueceste porque existem.

 

Eu sei porque existem. Mas o que te faz cair? Eu vou descobrir o que te faz cair. Está quase. VAI CAIR TUDO!

 

Lá fora há cada vez menos desejo pautado para ti

(os teus anjos passam por mim tão tristes)

Nesse quarto já não o há

Só este caderno

Este é o caderno de voltar atrás

Não o caderno de voltar a mim

O caderno de voltar a ti.

Andreia Macedo

Lisboa, 27 de Fevereiro de 2010



por andreia às 23:23
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Domingo, 20 de Junho de 2010
Acasos

Como se da boca de um louco, há muitos anos desprovido de razão, saísse de súbito uma fórmula verbal capaz de explicar finalmente o mundo, certos encontros do acaso juntam, definitivamente, e depois de muitos anos de desespero e desencontros, um homem e uma mulher.

 

Gonçalo M. Tavares in "Breves notas sobre o medo"



por andreia às 16:23
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Sábado, 3 de Abril de 2010
Onde quer que esteja

Onde quer que esteja, em qualquer lugar

na Terra, escondo dos outros a certeza de

que n ã o s o u d a q u i.

Como se tivesse sido enviado para absorver

o máximo das cores, sons, cheiros, sabores,

provar de tudo o que é

reservado ao Homem, converter o vivido

num registo mágico e levá-lo para lá, de onde

parti.

Czeslaw Milosz



por andreia às 07:31
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